quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Reuso de água

A importância da água para o planeta, é indiscutível. Todos sabemos, ou deveríamos saber, que ela é o combustível para toda a vida existente e é de longe "nosso" bem mais precioso. Mesmo assim, em toda nossa história, ela vem sendo desperdiçada de forma indiscriminada. Muitas vezes, somos iludidos pela aparência, afinal 70% da superfície do planeta, que ironicamente, chamamos de Terra é constituído de água, mas apenas 3% de todo esse volume é de "água doce", e se desconsiderarmos as águas das geleiras e calotas polares, podemos considerar que apenas 1% da água do planeta é própria para o consumo.

Apesar de parecer uma idéia relativamente nova, a técnica de captação de água e seu reuso vem sendo utilizada por milhares de anos praticamente em todo os canto do mundo. Na Grécia antiga, por exemplo, existia um complexo sistema de captação e distribuição de água para irrigação. O império Romano usava seus famosos aquedutos para distribuir água por todo o império, estudiosos defendem que os aquedutos foram um dos pontos cruciais para expansão romana, permitindo o povoamento de áreas distantes de rios e nascentes. Os Maias não só captavam as águas, mas também construíram uma barragem ensecadeira, desenvolveram um sistema de filtragem por areia e uma rede canais de distribuição de água para diferentes locais.

Voltando ao nosso mundo atual, qual é de fato a vantagem de se captar águas de chuva? 

Antes de responder essa pergunta, é importante dizer que mesmo a água de chuva captada, armazenada, filtrada e tratada, não se tornará potável e não deve ser ingerida de forma alguma. As águas de captação devem ser destinadas a usos nos quais não haja necessidade de desperdiçar água potável como: rega de jardins; limpeza de calçada e pisos; limpeza de veículos; vaso sanitários e limpezas externas gerais.

A Economia financeira é uma das vantagens de se captar água e utilizá-la em atividades secundárias atividades que não necessitem de água potável, seu consumo direto através das cisternas reduz a demanda das estações de tratamento e isso acarretará em economia financeira em sua conta de água mensal. Mas se o fator financeiro for o único motivo para captação de água, cuidado! Essa não é uma verdade absoluta, é necessário fazer o cálculo caso a caso para saber se o investimento irá gerar economia real. Em muitos casos, o valor de investimento em função da   quantidade de água captada não supera o consumo em um período de tempo satisfatório, tornando o investimento financeiramente inviável.  Com a diminuição de demanda da rede, o sistema de captação ajuda a desafogar as estações de tratamento e distribuição da cidade e as empresas  não precisam trabalhar no limite de sua produção, tornando o sistema saudável, eficiente e com menos riscos de rupturas em suas redes (Não devemos desconsiderar que o crescimento populacional das cidades, em algum momento, será maior que as redes previamente dimensionadas e as deixarão obsoletas e incapazes de suprir toda a demanda exigida).

A natureza não agradece! Sim, isso mesmo, ao contrário do que dizem por aí, captar água de chuva propriamente dita não é uma atitude sustentável. Se para você o importante é ajudar o planeta e construir um mundo melhor para todos, mais importante que a captação é o consumo consciente de água e seu reuso! 

Felizmente, as escolas há muito tempo ensinam as crianças da importância de se economizar água com atitudes simples, como escovar os dentes com a torneira desligada, ou controlar o tempo de banho, atitudes que, se feito por toda uma cidade, pode haver uma economia gigantesca na quantidade de água desperdiçada. Já em países mais desenvolvidos, que possuem menos recursos hídricos que o Brasil, os cientistas e pesquisadores, utilizam de sistemas ainda mais eficazes, como vasos sanitários a vácuo (que consomem apenas 1L de água por descarga);  vasos sanitários que reutilizam a água da pia após lavar as mãos. Pequenas cisternas que acumulam as águas da máquina de lavar roupa e/ou chuveiro para limpeza de áreas externas e até mini estações de tratamento de resíduos. 

A preocupação com a água é mundial e está longe de ser sanada, enquanto não houver conscientização maciça por parte da população não conseguiremos atingir um sistema sustentável eficaz, porém, essa conscientização deve ser feita por etapas, pois é complicado exigir economia daqueles que já sobrevivem com o mínimo possível. Por isso nossos olhos se voltam para a Lei 14.026/2020, a atualização do novo marco legal para o saneamento básico, com proposta de água potável e rede de esgoto para pelo menos 90% dos lares brasileiros até 2033, uma proposta ousada que esperamos ver fora do papel.    

Beatam vitam!! 


Fontes:

https://www.ana.gov.br/panorama-das-aguas/agua-no-mundo

http://www.ufrgs.br/nuparq/news/civilizacao-maia-tinha-metodo-sustentavel-para-gerenciar

https://ambientes.ambientebrasil.com.br/agua/uso_e_reuso_da_agua/reuso_da_agua.html

https://atosarquitetura.com.br/noticias/em-tempos-de-escassez-de-agua-como-economizar/

https://www.in.gov.br/web/dou/-/lei-n-14.026-de-15-de-julho-de-2020-267035421

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